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Graviola: benefícios contra o câncer, como escolher e uma receita da tia

Origem, como escolher e preparar a fruta, benefícios comprovados por estudos

Por Roberta Waleska· Compartilhar
Graviola madura aberta, com polpa branca e sementes escuras, ao lado de folhas frescas
Graviola madura aberta, com polpa branca e sementes escuras, ao lado de folhas frescasTá Sabendo?

Enquanto escrevo essa matéria aprecio um delicioso chá de suas folhas, e pasmem: é levemente doce… Poucas frutas geram tanta curiosidade quanto a graviola. É grande, de casca escura e espinhosa, polpa branca e fibrosa, sabor único com toque azedinho e, ao mesmo tempo, é cercada de histórias. Vale conhecer a fruta de verdade: de onde ela vem, como aproveitar o melhor dela na cozinha e o que diz a ciência sobre seus benefícios.

## De onde vem a graviola

A graviola (Annona muricata) é nativa das regiões tropicais da América Central e do Caribe, de onde se espalhou para a América do Sul, inclusive o Brasil, onde é cultivada principalmente no Norte e no Nordeste. Em países de língua espanhola ela é conhecida como guanábana, e em inglês como soursop. Faz parte da mesma família da fruta-do-conde, conhecida como pinha em alguns estados: o gênero é Annona.

## Como escolher a fruta certa

Uma graviola boa para comer deve estar macia ao toque, mas sem estar mole demais a ponto de amassar com facilidade. Se ainda estiver dura, é sinal de que precisa amadurecer mais alguns dias fora da geladeira. Espinhos mais escuros, porém com a casca mais clara e fina, indicam que a fruta está no ponto.

Vale evitar frutos com manchas muito extensas e procurar por mofo, a fim de evitá-lo. Não compre frutas que apresentem casca preta, rachaduras e textura excessivamente mole.

## Armazenamento e preparo

Se a graviola ainda estiver verde, o ideal é deixá-la em temperatura ambiente, longe de luz direta, até amadurecer. Já madura, o melhor é consumir em poucos dias ou despolpar e congelar a polpa em recipiente fechado, o que preserva sabor e nutrientes por mais tempo. Antes de consumir, lave bem a casca em água corrente. Na hora de comer, retire e descarte as sementes: elas concentram uma substância chamada anonacina, que não deve ser ingerida.

## O que ela tem de bom

Cada 100 gramas de polpa de graviola tem cerca de 66 calorias, 3,3 gramas de fibra e cobre uma fatia relevante da necessidade diária de vitamina C, em torno de um terço. A fruta também contribui com potássio, magnésio e tiamina, além de compostos antioxidantes como quercetina e luteolina.

A graviola tem sido estudada por suas propriedades anticâncer, anti-inflamatórias e antioxidantes. Os principais compostos bioativos são as acetogeninas anonáceas (mais de 70 identificadas na graviola), além de alcaloides, flavonoides e esteróis. Estudos associaram extratos de graviola a efeito anti-inflamatório, ação contra bactérias causadoras de cárie e gengivite, e redução da glicemia.

## Os 12 tipos de câncer pesquisados

Mencionados no artigo de Qazi et al. (2018): câncer de cólon/colorretal; câncer de mama; câncer de próstata; câncer de pulmão; câncer de pâncreas; câncer de fígado (apenas um estudo em modelo animal — apoptose de células hepáticas induzidas por DMBA em ratos); HNSCC (câncer de cabeça e pescoço); e malignidades hematológicas, como a leucemia (HL-60). Há menção geral a linfoma não-Hodgkin e mieloma múltiplo como contexto de doenças hematológicas, mas sem estudo específico de graviola citado para linfoma.

Somam-se ainda o câncer de pele, melanoma ou não-melanoma (Chamcheu et al., 2018, sobre UW-BCC1/A431); o câncer de rim (Rady et al., 2018); o câncer de bexiga (Moghadamtousi et al., 2015); e o câncer de útero/colo do útero (Qazi et al., 2018).

## Relatos de caso (não controlados)

Uma mulher de 66 anos com câncer de mama metastático refratário, que já havia passado por múltiplos tratamentos (antraciclinas, taxanos, radiação, Femara, Tamoxifen, Faslodex, Navelbine, Abraxane, Avastin, Gemcitabina, Doxil), consumiu folhas fervidas de graviola junto com o quimioterápico capecitabina (Xeloda) e apresentou doença estável, sem efeitos citotóxicos observados mesmo após 5 anos de acompanhamento (Qazi et al., 2018).

Outro relato descreve regressão completa de tumores de cólon com ingestão diária de 5 g de extrato de folha de graviola, associada a mudanças no estilo de vida (Qazi et al., 2018).

Observação: as informações apresentadas têm caráter informativo e não substituem o tratamento médico prescrito. É fundamental manter o acompanhamento e a terapia indicados pelo(a) oncologista, sem interrupção ou substituição por conta própria. Embora os estudos citados apontem baixa toxicidade em geral, a graviola pode interagir com medicamentos e não deve ser consumida sem orientação médica prévia — especialmente por pacientes em tratamento ativo, gestantes, lactantes ou pessoas com doenças neurológicas.

## Receita simples: sorvete de graviola

Para aproveitar a fruta em casa, uma receita rápida e clássica da tia: bata no liquidificador a polpa de uma graviola madura, sem sementes, com uma lata de leite condensado e uma caixinha de creme de leite, até ficar homogêneo. Leve ao congelador em um recipiente fechado por pelo menos 4 horas, mexendo uma ou duas vezes no meio do processo para incorporar ar e deixar a textura mais cremosa. É uma forma simples de sentir o sabor da fruta!

Fontes consultadas

RW
Sobre o autor
Roberta Waleska
CEO da Ankor Tech

Ex-Pesquisadora PIBIC/CNPq — UFPB, com trajetória interdisciplinar em pesquisa, inovação e desenvolvimento de soluções tecnológicas aplicadas. Principais competências: pesquisa e análise; inovação tecnológica; desenvolvimento de soluções digitais; tecnologias No-Code e Low-Code; inteligência artificial e automação; gestão e desenvolvimento de produtos digitais; empreendedorismo; comunicação e tradução de temas complexos para linguagem acessível.

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