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Graviola cura câncer? O que a ciência (e o INCA) dizem sobre o mito

A frase 'suco de graviola cura o câncer' é citada pelo próprio INCA como exemplo de informação falsa que circula nas redes

Por Roberta Waleska·· Compartilhar
Graviola cura câncer? O que a ciência (e o INCA) dizem sobre
Graviola cura câncer? O que a ciência (e o INCA) dizem sobreCREDITO-IMAGEM-GRAVIOLA

Há anos circula a informação de que a graviola seria capaz de curar até 12 tipos diferentes de câncer — às vezes citando pesquisas internacionais e uma suposta corrida de laboratórios pelo mundo para comprar a fruta. É um relato que aparece e reaparece periodicamente. Mas será que é verdade?

O que a graviola realmente tem

A graviola (Annona muricata), fruta nativa da América do Sul e Central, contém compostos chamados acetogeninas, presentes principalmente nas folhas e sementes. Estudos de laboratório — feitos em células isoladas (in vitro) e em animais — mostraram que essas substâncias podem ter efeito citotóxico sobre células cancerígenas em condições controladas.

É esse tipo de estudo preliminar que costuma virar manchete e alimentar a fama da fruta como 'cura do câncer'. O problema é o salto entre o que acontece numa placa de laboratório e o que acontece no corpo humano — um salto que, até hoje, a ciência não confirmou.

O que diz o INCA

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) vai direto ao ponto: numa cartilha oficial voltada a pacientes, chamada 'Dietas Restritivas e Alimentos Milagrosos Durante o Tratamento do Câncer: Fique fora dessa!', o instituto cita literalmente a frase 'suco de graviola cura o câncer' como exemplo do tipo de informação falsa que circula amplamente nas redes sociais. A ANVISA, por sua vez, proíbe que produtos à base da fruta façam esse tipo de alegação terapêutica.

Segundo a nutricionista do INCA Gabriela Villaça, há vários casos de pacientes que, na esperança de encontrar uma cura alternativa, abandonam partes importantes da própria alimentação — como cortar carboidratos — e acabam desnutridos, o que compromete ainda mais o tratamento. A lógica se aplica ao mesmo tipo de esperança depositada em frutas como a graviola.

O oncohematologista Breno Gusmão resume o ponto central: dizer que a fruta cura câncer não é uma verdade. Segundo ele, a graviola até pode fazer parte de uma alimentação equilibrada, mas seu uso como remédio natural ainda precisa ser estudado com mais profundidade antes de qualquer recomendação médica.

Os riscos que pouca gente comenta

Consumo excessivo do chá das folhas de graviola já foi associado a toxicidade para rins e fígado, e pode comprometer a absorção e a eficácia da quimioterapia em pacientes em tratamento — um risco sério justamente para quem mais precisaria de cuidado.

Existe ainda um risco menos conhecido: a annonacina, substância presente nas folhas, age como inibidora da mitocôndria e foi associada, em estudos no Caribe, a uma frequência maior que o esperado de parkinsonismo atípico entre populações com consumo elevado da fruta e de chás derivados dela.

Grupos de maior risco incluem pessoas com Parkinson, pacientes em tratamento oncológico, gestantes, lactantes, crianças e pessoas com doença renal ou hepática — para esses casos, a orientação é conversar com um médico antes de consumir a fruta ou seu chá com regularidade.

Então, é para jogar a graviola fora?

Não é isso. A graviola é uma fruta nutritiva, rica em vitamina C, fibras e antioxidantes, e pode ser consumida normalmente em sucos, sorvetes e geleias como parte de uma alimentação equilibrada — o problema não é comer a fruta, é tratá-la como substituto de tratamento médico contra o câncer.

Resumindo: fato ou rumor?

Rumor. Não há evidência científica em humanos de que a graviola cura qualquer tipo de câncer, e o próprio INCA usa essa alegação especificamente como exemplo de desinformação. Quem estiver em tratamento oncológico nunca deve substituir a terapia médica por remédios caseiros à base da fruta — o ideal é sempre conversar com o oncologista antes de incluir qualquer suplemento ou chá na rotina durante o tratamento.

Fontes consultadas

RW
Sobre o autor
Roberta Waleska
CEO da Ankor Tech

Editora do Sabe News, com atuação em tecnologia, inteligência artificial, negócios, viagens, destinos, experiências e estilo de vida.

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